segunda-feira, 12 de abril de 2021

Uma "Clareada". Permaneço aqui.

(esse rascunho é de outubro de 2016 e estou dando continuidade nele hoje, 12/04/2021, para postar)

Olá. E sim. Sei que estou sumido há algum tempo. Bastante tempo. "Será que alguém vai ler esse texto?" - me pergunto. Bastante coisa aconteceu nesses últimos anos. Até esqueci a senha do e-mail do blog, tive que falar com uma moça que tem meu número antigo e ela me ajudou a reaver a conta. Que bom. Sempre gosto de revisitar escritos e ideias antigas e notar o que em mim mudou, o que de mim não lembro e o que de mim já conheço um pouco mais. Esse rascunho aqui era - inicialmente - pra falar sobre sombra, mas acho que esse tempo todo merece mais um "clarear" rsrs. 
Estou bastante

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Dançando Para Florescer 2016 - Rica experiência!

Em nosso cenário pagão/ocultista/mágicko atual notamos que ocorrem em todo Brasil alguns encontros voltados para este tema, porém é comum menosprezarmos aqueles que ocorrem em nosso próprio território, por não serem tão exuberantes ou por não contarem com grandes personalidades internacionalmente conhecidas. Por isso venho aqui falar deste encontro lindo, cheio de experiências e com uma aura de renovação e encantamento. O encontro ocorre aqui mesmo em Natal e já está em sua quarta edição.
O Dançando Para Florescer é um evento cultural que tem como intento integrar e agregar conhecimento para o pessoal pagão de Natal/RN (cidade onde resido). A proposta é levar palestras aos participantes e alguns círculos de bate–papo com assuntos diversos, geralmente ligados ao esoterismo.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Minha Iniciação no Candomblé

Orí eni ní um 'ni j'oba.
(a cabeça de uma pessoa faz dela um rei)
Provérbio Yorubá.
- Ensaio sobre um despertar

De antemão devo advertir meus leitores sobre a inexistência de alguma exibição à cerca dos sigilos iniciáticos do Candomblé, jamais, como estudante das artes ocultas e moderado conhecedor de alguns sistemas que utilizam-se da delimitação em níveis, entraria no mérito de profanar os mistérios que aguardam aqueles que desejam aprofundar-se na arte. Venho através deste texto não revelar algum grande segredo ou muito menos tratar especificamente de assuntos objetivos e teóricos prescindíveis. Não seria pertinente, tendo em vista o título, esboçar sobre motes muitos diferentes do que este enceta. 


Minha intenção aqui é, nada mais e nada menos, denotar a experiência que vivi perante a iniciação à qual fui submetido dentro dos caminhos candomblecistas de uma forma singela, transparente e verdadeira, tentando apresentar unicamente uma paisagem particular e também esboçar um pouco sobre os processos que expectam aquele que ambiciona entrar na religião, ou têm algum interesse simpático. Como bem sabemos a vivência de certo fenômeno em nossas vidas só pode ser habilmente descrita através de nosso próprio discurso, pois a subjetividade, presente em todos os seres pensantes, influi constantemente em nossas impressões e paradigmas, como um fogo que assimila-se à outros mas detém um movimento singular. E é desta forma que desejo que ocorra o entendimento das palavras a seguir, como uma manifestação exclusiva de minhas interpretações despretensiosas e modestas.

domingo, 27 de março de 2016

Sacerdócio, Uma Missão Apocalíptica






Iniciemos nossa investigação evocando a fala do autor de origem inglesa Walter Gorn Old, mais conhecido como Sepharial,  em sua obra Manual de Ocultismo (1984) que situa-nos com acerto no caminho pelo qual prosseguiremos.

"Quem se dedica a governar e orientar esses poderes misteriosos empreende uma tarefa ousada. Deve levar em consideração que está penetrando o mais profundamente possível  nas mais elevadas leis da Natureza. Nunca deve entrar nesse santuário sem um temor reverente e o mais profundo respeito pelos princípios que tenciona colocar em funcionamento."


"Eu não posso ensinar nada a ninguém, 
eu só posso fazê-lo pensar."
Sócrates.

Ordo et Caos

Comecemos olhando para as mais remotas idades e civilizações, onde notamos caracteristicamente a figura do sacerdote sempre presente. Aqueles seres do grupo ou da tribo que eram dotados de conhecimentos metafísicos, indivíduos que exploravam as propriedades secretas de certos objetos ignorados pelo vulgo, que percebiam a simpatia entre a natureza e o homem, sujeitos capazes de verdadeiros milagres e que, das religiões totêmicas às hodiernas, sempre estão relacionados de alguma forma ao contato com o mundo espiritual. Xamãs, pajés, brâmanes, hem-Netjer são alguns exemplos de sacerdotes que existiram em tempos remotos e alguns ainda fazem-se presente na atualidade.

Geralmente suas funções vinculavam-se à(s) divindade(s) superior(res) cultuada(s) (seja alguma específica, seja a natureza de forma geral, etc.) e, reinando nas tribos a ideia de submissão para com as divindades -tudo dependia do apreço dos Deuses para com eles, sua colheita, sua vida, etc. - construía-se uma imagem de respeito e dependência para com as entidades responsáveis por esta mediação homem-divindade que nas épocas medievais eram considerados detentores da sabedoria divina, propagavam seus conteúdos de uma forma lírica, mitológica e por meio de uma rica linguagem hieroglífica. Eram os sujeitos-do-saber.

Conservavam-se separados dos demais em um tipo de introspecção e isolamento necessários ao seu desenvolvimento, pois era primordial que as práticas ocorressem longe de olhos ínscios (dentre outras razões sociais, obviamente). De modo geral o procedimento para a escolha de um novo aprendiz realizava-se como a seguir:

sexta-feira, 11 de março de 2016

Somos Ocultistas ou Somos Enganados?


O perigo que espreita a dúvida

Vulgāris Oculus 

“Caminhei por incontáveis estradas, pisei em muitos lugares, mas quem eu era não foi o
bastante para solapar quem eu parecia ser.”

A visão que a maioria da população tem à respeito da bruxaria, ocultismo e esoterismo em geral é deturpada de uma forma tão irreal quanto nos permite a mais esquizofrênica superstição. São muitos pré-juízos, pré-conceitos e a visão turva, que à princípio serviria apenas como exemplo de uma alienação bem-feita, torna-se um manancial de críticas insipientes, mas que devem ser encaradas com seriedade e engajamento, por motivos que entenderemos a seguir. 
Desta forma mostra-se estimulante construirmos um pensamento capaz de fazer-nos compreender um pouco mais sobre a forma como tais pensamentos impactam (ou não) no âmbito do estudo e prática mágicka.

Não tão surpreendentemente, quando perguntamos à alguém que seja leigo em qualquer assunto ligado à espiritualidade (como a maioria das pessoas o é, a não ser por um fio sutil de conhecimento bruto) sobre suas opiniões à respeito destas práticas este ou esta responde de uma forma abrupta, preconceituosa ou, no mínimo, dribla a questão para escapar de uma indagação tão desnecessária a seus olhos. Este fato, como muitos outros, decorre de um processo histórico-social que existe por trás de toda a sistematização dos credos mais comuns. 

A crença nos mistérios que circundam a meia-noite, nos enigmas que existem em uma encruzilhada, nos espíritos que perambulam e nos muitos outros saberes populares provoca-nos a questão de que a fé do coletivo em relação ao mundo esotérico é repleta de inferências puramente falaciosas, é um conhecimento que transfere-se sem constatação ou necessidade de ser estudado, não percebe-se ao menos a vontade de analisar algum fenômeno desta natureza, pois o mundo espiritual está supostamente sempre repleto de muitos demônios, espíritos, sangue e pecado, quem seria Louco o bastante para adentrar em tal antro?! Mas, n'uma visão menos... drástica, não seria mais cabível, ao invés de dizer que o mundo espiritual é cheio de atrocidades, falar, antes, que ele é cheio de estereótipos?